O objetivo da Força Tarefa é trazer mais recursos para o campo das finanças sociais e negócios de impacto, potencialmente chegando a R$ 50 bilhões/ano até 2020.

Isso implica em identificar os atores que poderiam contribuir de forma mais expressiva no curto prazo, convocar novos participantes para doar ou investir, e fortalecer os mecanismos financeiros, novos ou existentes, que possibilitam esse fluxo de capital.

O maior volume de capital (seja por doação, empréstimo, contratação ou investimento) viabilizará a implementação de mais negócios de impacto e, consequentemente, a promoção de novos produtos e serviços que resolvam problemas sociais e/ou ambientais.

Descrição: A FTFS recomenda a indivíduos de alta renda, em sua pessoa física ou via Family Offices, que solicitem e incentivem que as instituições financeiras nas quais são investidores, bem como os gestores de fundos de investimentos que gerem o seu patrimônio, criem produtos financeiros de investimentos com impacto socioambiental, e/ou que produtos existentes incluam um percentual de alocação nesses investimentos.

Como toda a indústria nascente, a de produtos financeiros de impacto social passa pelo dilema de impulso: a oferta de produtos é pequena pela baixa demanda dos investidores e a demanda é baixa porque a oferta de produtos por parte das instituições financeiras é pequena. Adicionalmente, dada a ausência de um histórico longo de performance, questiona-se se esses produtos são capazes de gerar retornos financeiros adequados.

Em vários países, há evidências de que esse círculo vicioso começa a ser quebrado, sobretudo por uma parcela dos investidores de alta renda, que agora agregam o impacto social aos seus objetivos de investimento, adicionando-o à análise de risco/retorno.

Nesse sentido, pessoas físicas e seus Family Offices deveriam requisitar de seus gestores de recursos que apresentem alternativas de investimento nas quais coexistam performance financeira e impacto socioambiental. Ao atender os clientes atuais, esses intermediários têm a oportunidade de se antecipar a uma tendência global, uma vez que os investidores da nova geração, chamados Millennials, têm apontado a intenção de alinhamento entre lucro e propósito.

De forma similar, cabe também aos gestores de recursos (fundos de investimento, distribuidores, etc.) incluir em seu processo de investimento a observância de critérios de impacto socioambiental na escolha dos ativos que compõe suas carteiras. No médio prazo, os produtos, mecanismos financeiros e estratégias de investimento poderão ser expandidos a bancos comerciais, aumentando a abrangência desta estratégia ao abordar os clientes de “varejo”.

Meta sugerida:
Sugere-se que indivíduos ou seus respectivos Family Offices direcionem 1% do seu montante de investimento anual para estes fundos ou produtos financeiros até 2020.

Atores-chave: Indivíduos de alta renda; Family Offices; Bancos comerciais e de Investimento

Descrição: A FTFS recomenda a Fundações e Institutos (empresariais e familiares) que realizem doações e investimentos para viabilizar iniciativas piloto e inovadoras do campo de finanças sociais e negócios de impacto.

Fundações e Institutos (empresariais ou familiares) têm papel premente no fomento do setor social, uma vez essas organizações têm vocação e autonomia para financiar e promover agendas de inovação e conhecimento, contribuindo na antecipação de riscos, oportunidades e potencialidades de temas ainda incipientes.

No caso das finanças sociais e negócios de impacto, Fundações e Institutos têm realizado doações e investimentos relevantes para o fortalecimento de atores desse ecossistema, implementação de ações-piloto e produção de conhecimento. A consolidação e disseminação de casos de sucesso representará um convite para a entrada de novos investidores, empreendedores e intermediários.

Considerando atração de novos investidores para o campo, é estratégico que Fundações e Institutos atuem como Garantidor (cobrir inadimplências ou resultados negativos de investimento), Comprador de Primeiros Lotes e First Loss (assumir a primeira parte de eventuais prejuízos) – desde que esse modelo esteja em concordância com o seu dever fiduciário e obrigações legais.

O estabelecimento de Fundos Patrimoniais (endowments) seria um estímulo para o apoio contínuo a uma dada causa (saúde, educação, moradia, etc) por meio dos rendimentos financeiros gerados pelos negócios de impacto.

Meta sugerida:
Sugere-se que Fundações, Institutos, e veículos similares, direcionem, até 2020, 5% de seus investimentos e doações ao desenvolvimento do campo das finanças sociais e negócios de impacto, preferencialmente em estratégias que fortaleçam a chamada para novos investidores e o fomento à inovação, alavancando sua disposição para correrem riscos.

Atores-chave: Fundações e Instituto (empresariais e familiares)

Descrição: A FTFS recomenda ao BNDES que direcione parte de seus aportes anuais de recursos não reembolsáveis para a capitalização de Fundos Sociais.

Diferentemente dos fundos de investimento de impacto, os fundos sociais captam recursos no mercado, investem em organizações sociais ou negócios de impacto, mas não preveem que o retorno financeiro seja devolvido para o investidor – e sim reinvestido na mesma ou em outras organizações. Essa lógica implica que as fontes de financiamento dos fundos sociais sejam os recursos de doação, vindos de indivíduos, fundações, institutos ou bancos de desenvolvimento – destacando o potencial do BNDES através de suas linhas de recursos não reembolsáveis.

Os desafios do BNDES na implementação da sua agenda social é a capilaridade (mapear bons projetos na maior abrangência geográfica possível) e a gestão (ampliar e monitorar a efetividade dos recursos investidos). Da mesma forma como tem buscado grandes institutos e fundações corporativas para apoiá-lo nesse desafio, o BNDES pode recorrer aos Fundos Sociais, que teriam mais liberdade e agilidade para estruturar e oferecer novos mecanismos de doação, empréstimo e investimento adaptados às especificidades do campo.

A existência de mais recursos disponíveis para Fundos Sociais implicará no surgimento de novos Fundos Sociais, que poderão investir em mais projetos, com mais cases de sucesso potenciais, e mais retorno a ser reinvestido. Esse ciclo virtuoso pode inspirar as próprias empresas, institutos e fundações corporativas, a reverem, em suas estratégias de investimento social, a forma como têm financiado ONGs, cooperativas e negócios inclusivos.

Resultados esperados:
Sugere-se que o BNDES direcione, até 2020, 5% dos seus aportes anuais de recursos não reembolsáveis para a capitalização de Fundos Sociais.

Atores-chave: Fundos sociais; BNDES, indivíduos de alta renda; fundações e institutos (empresariais e familiares)

Descrição: A FTFS recomenda ao BNDES que torne explícito o termo "Negócios de Impacto Socioambiental" dentro da lista de usos válidos para recursos advindos do Subcrédito Social (Linha ISE) vinculados aos empréstimos econômicos do banco. Demais Bancos e agências de desenvolvimento com mecanismos similares deveriam também seguir esta recomendação.

O BNDES, quando realiza empréstimos acima de R$ 100 milhões para empresas, sugere que ao menos 0,5% do montante tomado deve ser utilizado na agenda social do território em que os recursos do financiamento serão desembolsados, ou em ações de impacto amplo no ambiente macrossocial (ações que beneficiem segmentos da população nacional exposta a algum tipo de vulnerabilidade). Historicamente, esses recursos se reverteram em obras de infraestrutura.

Apesar de não existir uma restrição clara, também não há, dentro dos critérios e objetivos de uso do subcrédito, a possibilidade explícita de escolha de utilização de Negócios de Impacto como entes provedores do impacto pretendido. Tornar o termo explícito dentro das regras do subcrédito seria um indicador importante da relevância do campo de negócios de impacto, do compromisso do BNDES com o campo e um atrativo para as empresas tomadoras dos grandes financiamentos.

Alternativamente, o BNDES poderia permitir e/ou incentivar que as empresas tomadoras de financiamento realizem a doação de parte desses recursos para um Fundo Social sem fins lucrativos presentes na região de desembolso do financiamento ou com foco no ambiente macrossocial. Assim, a empresa ou instituto corporativo realiza a doação a uma organização que fará um empréstimo a um negócio de impacto ou empreendedores sociais locais. Neste modelo, ao retornar o recurso ao fundo, este irá compor um fundo rotativo que pode circular várias vezes, assim capturando outras oportunidades de impacto na região ou no público-alvo.

Meta sugerida:
Sugere-se que o BNDES valide a aplicação do subcrédito em negócios de impacto ou fundos sociais e, que até 2020, 5% de todo o recurso usado pelo subcrédito social seja aplicado nessas modalidades.

Atores-chave: BNDES, Empresas, Negócios de Impacto

Descrição: A Força Tarefa recomenda a empresários e membros dos Conselhos de Administração de empresas que incorporem o conceito e a visão de negócios de impacto, e direcionem seus executivos a inserir esta visão na estratégia de suas empresas.

As empresas, na figura de seus investidores e altos executivos, representam um importante ator para o desenvolvimento do campo das finanças sociais. Além de investimentos diretos nos negócios de impacto, as empresas são potenciais compradoras de produtos e serviços dessas organizações. Nessa perspectiva, seus fornecedores são avaliados não apenas por parâmetros de custo e qualidade, mas também pelo impacto socioambiental positivo que promovem. Essa reflexão também vale para institutos corporativos, familiares e organizações da sociedade civil.

No médio prazo, a integração de negócios de impacto nas compras das empresas não deve representar um aumento de custos. É preciso que a empresa integre esse processo como uma oportunidade de gerar valor e proteger sua marca – seja através de estratégias de marketing, relacionamento com públicos prioritários e/ou licença para operar nas comunidades. Pelo desafio de apropriação desses valores agregados, é importante que as áreas de sustentabilidade (ou correlatas) estejam próximas a de suprimentos.

Um caminho possível para ao engajamento de grandes empresas seria a inclusão nos principais sistemas de rating usados no Brasil, como Índice ISE e GRI, de novos indicadores que considerem o impacto socioambiental na cadeia de valor da empresa.

Outra oportunidade seria vincular o investimento social da empresa ao desenvolvimento de negócios de impacto com potencial para fornecer para a sua cadeia de valor. É importante que as áreas de sustentabilidade se aproximem de intermediários do campo (como aceleradoras e avaliadores de impacto) e alinhem as expectativas de qualidade e escala entre os empreendedores e os gestores de suprimentos.

Considerando o desafio de mapeamento de potenciais fornecedores, também é bem-vindo o surgimento de plataformas online ou espaços físicos (como feiras) que possam conectar compradores dos setores público e privado com negócios de impacto.

Meta sugerida:
Sugere-se que Empresas criem estratégias e políticas internas que viabilizem, até 2020, que 5% de suas compras corporativas sejam feitas de negócios de impacto.

Atores-chave: Empresas, Negócios de Impacto

Descrição: A FTFS recomenda a Institutos e Fundações, a Academia e ONGs que atuam na gestão pública que construam cases e modelos de compras de produtos e serviços de Negócios de Impacto que possam ser replicáveis e escaláveis pelo Governo.

O setor público está entre os grandes compradores do país, gastando cerca de 10 a 15% do PIB em suas aquisições. Incluir Negócios de Impacto nas políticas de contratações públicas irá induzir positivamente o mercado, dar relevância ao tema e reforçar o compromisso do Governo com a efetividade do impacto no seu atendimento à população.

O desafio está ligado ao desconhecimento do tema e a insegurança jurídica nas Secretarias Municipais. Como exemplos, vale citar a dificuldade de enquadramento de um Negócio de Impacto nas regras de convênios ou de licitações públicas (Lei 8.666/93); ou o caso de tecnologias sociais inovadoras, e por isso ainda sem concorrentes diretos, de difícil classificação dentro das normas de licitações.

O caminho para equacionar esse contexto passa por informar e capacitar gestores públicos, estudar as legislações, identificar oportunidades, testar previamente as teses de impacto dos projetos, e construir casos de sucesso que possam ser divulgados e multiplicados. Adicionalmente, é preciso trabalhar com o Ministério Público e órgãos de controle (Tribunais de Contas, Advocacia e Controladorias) para encontrar formas de incentivar o fornecimento através de negócios de impacto sem ferir a legislação vigente e reduzir a insegurança jurídica de inovações no setor público.

O efeito esperado a partir desses casos é que novos gestores se aproximem dessa agenda, busquem capacitação e informação sobre regulações (como a de compras sustentáveis), analisem a necessidade de adaptações ou novos formatos jurídicos em conjunto com órgãos de controle, etc. O foco no impacto, isto é, na maior qualidade e/ou eficiência dos serviços prestados pelo Estado, movimentará a agenda.

Metas sugeridas:
Sugere-se que Institutos e Fundações, a Academia e ONGs que atuam com a gestão pública construam, até 2017, cases de sucesso sobre a contratação de Negócios de Impacto e financiem os primeiros pilotos que possam ser replicados pelas 3 esferas do Governo.

Atores-chave: Governo federal, estadual e municipal; órgãos de controle, Negócios de impacto; Institutos e Fundações, Academia e ONGs que atuam na gestão pública

Descrição: A FTFS recomenda ao BNDES e a FINEP que incorporem o tema de investimento de impacto na definição de seus critérios para realizar chamadas para aportes em Fundos de Venture Capital e Private Equity.

BNDES e FINEP tiveram uma participação fundamental na construção e no fortalecimento da indústria de fundos de Venture Capital no Brasil e, portanto, terão um papel crucial no fomento à indústria de Fundos de Investimento de Impacto no Brasil. Ambos têm a vocação e a envergadura para serem pioneiros, servindo como um indutor para a entrada de outros investidores.

Recomendamos que BNDES e FINEP incorporem em suas políticas de investimento uma terceira dimensão – dimensão esta que seja adicional à análise de risco e retorno, seguindo a lógica de impacto socioambiental.

Há ainda poucos fundos no Brasil de Venture Capital (VC) focados em Investimento de Impacto, o que inviabiliza, no momento, a realização de uma chamada específica para este tipo de fundo.

No entanto, o que seria, no curto prazo, possível é que no processo de seleção de Fundos de VC ou Private Equity, o BNDES e a FINEP definam como critério de escolha o compromisso do gestor para a inclusão de metas e critérios de avaliação de impacto social para as empresas investidas. Essa fase deve ser vista como um aprendizado em direção ao segundo momento, com a realização de chamadas específicas para seleção de fundos focados em investimento de impacto social.

Metas sugeridas:
Sugere-se que, até 2017, BNDES e FINEP agreguem, como critério de seleção às suas chamadas para aporte em fundos de Venture Capital o compromisso do gestor em definir, junto às suas investidas, metas de impacto social e critérios de mensuração;

E que a partir de 2018, realizem uma chamada anual para escolha de gestores com foco na tese de investimento de impacto.

Atores-chave: BNDES, FINEP, Fundos de investimento