Mais negócios de impacto em operação levarão a mais modelos de operação testados e a mais casos de sucesso com impacto mensurado e resultado financeiro comprovados, atraindo mais investimentos e gerando um ciclo virtuoso, inspirando e servindo de referência para novos empreendedores e investidores.

O objetivo é ter mais empreendedores compromissados e instrumentalizados para construir negócios que gerem impacto socioambiental mensurável e com sustentabilidade financeira. Isso implica em sensibilizar esse público, inclusive empreendedores da base da pirâmide, quanto a possibilidade de se resolver questões sociais e ambientais tendo como base um modelo de negócio saudável e viável.

Descrição: A FTFS recomenda aos órgãos reguladores do mercado financeiro, em especial ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que normatizem plataformas inovadoras de captação de recursos para empresas, em especial àquelas em estágio inicial de desenvolvimento.

Há no Brasil uma clara falta de alternativas de financiamento para empresas em estágio inicial de operação. Há um momento de vida dos empreendimentos em que eles já deixaram a etapa de incubação/aceleração, mas ainda não têm tamanho para receber investimentos de um Fundo de Venture Capital, nem balanço e/ou garantias para acessar linhas tradicionais de investimento. O resultado tem sido uma taxa elevada de mortalidade de empresas nesse estágio.

Para preencher esta lacuna, plataformas digitais para captação de recursos estão sendo utilizadas com sucesso em vários países. Elas permitem que pessoas físicas possam fazer investimentos em empresas, seja via participação acionária – conhecido como investimento coletivo (equity crowdfunding) – seja via cessão de dívida (peer-to-peer).

No entanto, no Brasil, essas duas modalidades de plataforma não têm ainda um ambiente regulatório claro, o que tem inibido a atuação dos atores existentes e dificultado a entrada de novos players.

Em relação às plataformas digitais de investimento coletivo em participação acionária, há necessidade de uma nova instrução da CVM que regulamente a atividade no que diz respeito à figura jurídica do provedor deste serviço, à qualificação do tipo de investidor elegível, à qualificação da empresa a ser investida e ao modelo de Governança.

Já as plataformas digitais de empréstimo pessoa física-pessoa jurídica necessitam uma regulação mais flexível e moderna por parte do Banco Central.

Meta sugerida:
Sugere-se que, até o final de 2017, o Banco Central e a CVM, em conjunto com os atores privados atuantes no campo, definam novas regulações que permitam o crescimento dessas plataformas, dentro de um ambiente regulatório seguro e moderno.

Atores-chave: Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários, Organizações intermediárias focadas no desenvolvimento destes instrumentos

Descrição: A FTFS recomenda às Instituições de Ensino Superior e às Entidades Avaliadoras e Certificadoras que construam e implementem um plano de disseminação da cultura de avaliação no Brasil para empreendedores e investidores de impacto, acompanhando as tendências globais de uma linguagem comum e padrões de avaliação de impacto.

Um dos pilares das Finanças Sociais é o compromisso com o impacto socioambiental, mensurado e analisado periodicamente. A avaliação do impacto permite que empreendedores busquem ações mais efetivas ou deem escala ao seu impacto; assim como a divulgação do impacto reduz o risco e a incerteza do investidor, atraindo mais capital para o campo.

Os empreendimentos devem ser construídos e avaliados a partir de sua teoria de mudança (o que pretende transformar) e metas (quanto e em quanto tempo será essa transformação). Contudo, nem sempre os empreendedores conseguem explicitar o seu impacto ou incluem a lógica de avaliação no seu sistema de gestão - por falta de referências sobre impacto; pela baixa qualificação técnica para propor e acompanhar a agenda de impacto; e pela falta de recursos para implementar processos de avaliação.

O movimento global que acompanha o campo das Finanças Sociais tem buscado criar padrões para a avaliação de impacto. Essas referências internacionais devem ser incorporadas (e quando necessário, influenciadas) pelos usuários brasileiros para garantir adaptação regional sem perder alinhamento global. O acompanhamento e leitura crítica dessa agenda pode ser liderado pela Academia e por entidades avaliadoras e certificadoras de impacto que, atuando de forma independente, dão credibilidade e dinamismo ao campo.

O desafio de recursos para a avaliação será encaminhado, em parte, pelos modelos de negócio já construídos com a lógica de avaliação de impacto incluída em seu sistema de gestão; e pela sensibilização dos investidores sobre o financiamento dessa agenda, que colabora inclusive no processo de saída desse investidor.

Meta sugerida:
Sugere-se que as organizações do ecossistema de Finanças Sociais e Negócios de Impacto definam um processo e governança para acompanhar o movimento global de criação de um padrão de avaliação de impacto.

Atores-chave: Atores da oferta e da demanda de capital, Academia, Entidades avaliadoras e certificadoras