A expansão do número, da qualificação técnica e da abrangência geográfica das organizações intermediárias levará ao fortalecimento de agendas estratégicas para o campo – como a qualificação dos empreendedores e dos modelos de negócio, a sistematização e disseminação de informações, a avaliação e certificação do impacto, etc. Isso é essencial se considerarmos as diferenças de visões e de expectativas entre quem dá o dinheiro, quem implementa ações sociais e quem é impactado por elas, em escala nacional

O objetivo é facilitar e qualificar a conexão entre a oferta de capital e os negócios de impacto, que precisam de apoio para se estruturarem, sobreviverem ou prosperarem. Isso implica em mapear os pontos críticos e frágeis desse relacionamento e promover o atendimento a esses gargalos.

Descrição: A FTFS recomenda a Empresas, Fundações, Institutos e Governo que considerem em suas estratégias de investimento social incubadoras e aceleradoras que contemplem formação e apoio a empreendedores com Negócios de Impacto.

No Brasil, grande parte dos Negócios de Impacto ainda carecem, para além do capital semente, de suporte em infraestrutura, apoio técnico para construção de seus modelos econômicos e de gestão, e mentoria para crescer e alavancar financiamentos maiores. Incubadoras e aceleradoras têm sido responsáveis por prover esse modelo de apoio, oferecendo aos empreendedores diversos serviços e gerando um espaço de aprendizagem e troca de experiências.

Apesar de alguns empreendimentos atualmente incubados promoverem impacto socioambiental, o desafio é estimular que mais empreendedores reformulem ou reforcem o seu compromisso com o impacto (e não apenas as variáveis de risco e retorno) com o objetivo de: (1) ter mais pessoas afetadas positivamente por seus produtos e serviços, (2) criar produtos e serviços que atendam diretamente a população de baixa renda ou que resolvam graves desafios sociais. A oportunidade é captar recursos privados orientados para esse foco.

Considerando a limitação de recursos das incubadoras e aceleradoras – muitas no Brasil ainda dependem exclusivamente de recursos não reembolsáveis – é importante que haja um movimento intencional que impulsione essa nova temática. Espera-se que Empresas, Fundações e Instituto, e mesmo o Governo (através das universidades gestoras de incubadoras) possam promover capacitações, premiações e investimentos diretos que apoiem a integração da lógica de impacto nas estratégias das incubadoras e aceleradoras.

A Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), o SEBRAE e entidades regionais são parceiros importantes no desafio de legitimar essa temática e garantir o envolvimento de incubadoras e aceleradoras nacionalmente.

Meta sugerida:
Sugere-se que até 2020, ao menos 10% das incubadoras e aceleradoras do Brasil se autodeclarem trabalhando com a temática de negócios de impacto em uma fração relevante de seu portfólio e utilizem indicadores para medir impacto socioambiental de seus empreendimentos incubados.

Atores-chave: Empresas, Fundações e Institutos, e Governo, Incubadoras e aceleradoras, Anprotec.

Descrição: A FTFS recomenda ao SEBRAE que avalie as múltiplas oportunidades de vincular ou fortalecer a temática dos Negócios de Impacto em seus programas de formação e apoio a atuais e potenciais empreendedores, considerando o desafio de colocá-los em rede com um número maior de empresas.

O SEBRAE, por ser uma referência nacional como indutor de desenvolvimento para os pequenos negócios, tem um papel protagonista na ampliação do número de negócios de impacto no país. A partir do desafio de qualificar os empreendedores, é essencial que o SEBRAE ofereça produtos e serviços que melhorem a gestão dos negócios, promovam o acesso a mercados e serviços financeiros, disseminem soluções inovadoras e de cunho tecnológico, bem como democratizem o acesso a conteúdo e ferramentas de negócios a empreendedores de baixa renda.

O modelo de atuação do SEBRAE já considera que, não havendo produtos próprios para algumas especificidades de formação, ou sendo insuficiente para a escala de atendimento, ele pode contratar intermediários do campo que cumpram essa qualificação. Isso contribuirá para que muitas organizações do campo, como incubadoras e aceleradoras, consultores, organizações de avaliação de impacto, por exemplo, ganhem musculatura e ampliem sua base de atuação.

Considerando as limitações de acesso dos empreendedores sociais a investimentos, também poderiam ser propostas rodadas exclusivas de aproximação entre negócios de impacto e grandes empresas, investidores e Governo.

No âmbito governamental, é aconselhável que se inclua o tema sobre negócios de impacto no programa Fomenta, destinado a compras públicas.

Observação: o Sebrae, dentro do seu escopo de atuação junto a negócios de impacto social, prioriza organizações com a natureza jurídica de empresa e que distribui lucros. Todavia, por sua característica inclusiva e agregadora, atende também associações, cooperativas e empresas que reinvestem seus lucros

Meta sugerida:
Sugere-se que nos próximos 5 anos o SEBRAE inclua nas suas mais diversas estratégias de formação, conteúdos de finanças sociais e negócios de impacto, para atingir 10.000 mil empreendedores.

Atores-chave: SEBRAE, Empreendedores de Negócios de Impacto, aceleradoras, incubadoras e outros intermediários do campo.

Descrição: A FTFS recomenda às Instituições de Ensino Superior (IES) que incluam as temáticas de Finanças Sociais, Empreendedorismo Social e Negócios de Impacto na grade curricular das mais variadas áreas, estruturem cursos específicos e direcionem esforços para a produção e disseminação de conhecimento nessa temática.

É essencial que os tema das Finanças Sociais, Empreendedorismo Social e Negócios de Impacto gere uma literatura nacional, como há alguns anos ocorreu no campo da filantropia ou da sustentabilidade. A academia tem papel central na formação de conceitos, consensos sobre nomenclaturas, parâmetros legais, pesquisas de avaliação dos negócios de impacto e elaboração cases de sucesso e de fracasso.

Para contribuir na formação de professores nessa nova temática, torna-se essencial a proliferação de centros de estudos, think tanks, linhas de pesquisas, viagens de campo, seminários, etc, que possam refletir sobre potencialidades e desafios do campo; assim como financiadores, públicos e privados, que direcionem recursos e incentivem a promoção de eventos, intercâmbios, espaços colaborativos, veículos de comunicação especializados, etc. Um resultado emblemático é a inclusão da pauta de finanças sociais, empreendedorismo social e negócios de impacto na grade de cursos de ensino superior – não restrita aos ligados à Administração e Economia – ou a eventual criação de novos cursos específicos.

Estas ações de formação visam aumentar o número de profissionais interessados em atuar ou empreender nesse campo, mas colaboram para que profissionais do mercado convencional tenham uma visão qualificada sobre o paradigma “lucro x impacto”.

O uso de bolsas de estudo como Fapesp, CNPq e FINEP (desde que vinculadas a inovação social) pode servir de incentivo ao aumento de teses de mestrado e Doutorado desenvolvidas na temática de impacto.

Meta sugerida:
Sugere-se ao meio acadêmico que, até 2020, fomente ao menos um curso de formação na área de Finanças Sociais e um em Negócios de Impacto em cada região do país. Sugere-se que agências de fomento à pesquisa (regionais e nacional) explicitem o tema como uma linha (ou sub-linha) de financiamento. Sugere-se que as IES estimulem seus professores a incluírem em suas linhas de pesquisa essa temática.

Atores-chave: IES (Universidades e Faculdades), Professores, Estudantes graduação e pós-graduação e Agências de Fomento à Pesquisa.